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Projeto Manif – Residências Artísticas nos Espaços da Justiça – tem início com exposição coletiva no Tribunal de Pampilhosa da Serra

Geral
12 Fevereiro 2025

Com início este mês, o projeto MANIF - residências artísticas nos espaços da Justiça - procura contribuir para a democratização do acesso às artes num território alargado, propondo a criação artística e fruição da cultura dentro de edifícios públicos da Justiça, nomeadamente tribunais, palácios da justiça ou juízos de proximidade do nosso país.

O ponto de partida do projeto realiza-se já esta quinta-feira, dia 13 de fevereiro, pelas 14h00, com a inauguração da exposição coletiva “Um quotidiano aqui destituído”, com curadoria do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, no Juízo de Proximidade da Pampilhosa da Serra. A sala de audiências recebe, assim, uma exposição com obras que fazem parte do acervo de arte contemporânea do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, de artistas como Catarina Baleiras, Jorge das Neves e Novo Grupo de Escultura.

Durante a inauguração, realiza-se também uma visita orientada pela equipa curatorial. A exposição é de entrada gratuita e pode ser visitada até 9 de maio, das 9:00 às 16:00, de segunda a sexta.

Ocupando os espaços do tribunal como um palco onde as tensões entre presença e abandono, autoridade e fragilidade se tornam visíveis, quatro obras, inseridas em quatro pontos estratégicos, convocam a memória coletiva e questionam a ausência – de pessoas, dos serviços, de cuidado – que permeia o território, as instituições e a vida quotidiana. Habitando o Juízo de Proximidade com materiais locais, fotografias e instalações, as obras desafiam também a linguagem jurídica e simbólica que reconhecemos como marca desses ambientes. Aqui, emerge também uma reflexão sobre os traumas que moldaram a Região Centro de Portugal, evocando os grandes incêndios que devastaram territórios como a Pampilhosa da Serra. Estes eventos, além de ferirem a paisagem, expõem questões de abandono e ausência de justiça ambiental e social. Uma disrupção que nos remete aos objetos e locais do quotidiano para refletir sobre a ideia de justiça, do abandono da população e do território.

Residências artísticas e programas para comunidade e escolas

A exposição Um quotidiano aqui destituído é também o ponto de partida para um ciclo de três residências artísticas no Agrupamento de Escolas, Escalada, de Pampilhosa da Serra que desenvolverão os temas fulcrais para a estratégia do município no contexto da aprendizagem: Natureza, Brincar, Identidade. Farão parte destas residências os artistas Ãnia Pais, Gil Ferrão, Dori Nigro e Paulo Pinto, alguns dos quais farão visitas guiadas à exposição.

Estas visitas terão lugar no dia 10 de março, das 13:50 às 15:35, com Gil Ferrão, e no dia 28 de abril, no mesmo horário, com Dori Nigro e Paulo Pinto.

Convidando a uma participação aberta a toda a comunidade e a escolas (turmas e professores), nos dias 18 de fevereiro e 29 de abril, das 9:00 às 12:30, Jorge Cabrera, do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, convida todas as pessoas interessadas a viver uma experiência criativa com materiais locais, criando um espaço de contacto entre arte, diversidades culturais e meio natural.

Serão ainda exibidas duas curtas-metragens, que tratam de conteúdos culturais de Guiné-Bissau e Cabo Verde, ativados por debates com participantes, em data a anunciar.

Projeto MANIF

MANIF surge de dois significados da palavra manifestação: a demonstração pública de sentimentos ou ideias de um conjunto de pessoas reunidas e, no campo do património imaterial, o “objeto” cultural e tradicional, de qualquer natureza, que é transmitido de geração em geração. Assim, o projeto propõe-se viver em tempos simultâneos: o da arte que rejeita radicalmente a forma de viver atual, criando espaços de “desformatação da ação”; e o de tecer diálogos e pontes que põem em evidência o existente e ir cocriando pequenos novos lugares de questionamento. Uma possibilidade vislumbrada, construída e viabilizada pelos agentes da própria instituição judicial em rede e constante colaboração com as comunidades educativas e culturais locais, procurando capacidade crítica e criativa e novos diálogos de ação a curto e longo prazo.

Com direção artística de Filipa Morgado, o projeto MANIF nasce num processo de escuta ativa, olhar e pensamento atento, crítico e construtivo sobre o Lugar da Justiça no nosso território, e na urgência demonstrada pelo seu corpo interno de profissionais, aqui representados pelo Juiz Presidente da Comarca de Coimbra, Carlos Oliveira, em tecer novas pontes de encontro transversais a outras áreas do conhecimento e reforçar alicerces no diálogo com toda a sociedade.

Por sua vez, o CAPC – Círculo de Artes Plásticas de Coimbra propõe uma curadoria que reverbera o território de proximidade, refletindo a natureza de todo o projeto que aborda caminhos de coragem e transgressão de espaços e normas.

Sobre os artistas da exposição

O Novo Grupo de Escultura Artística de Coimbra é um coletivo de artistas formado em 2022, na cidade de Coimbra. Os seus membros não têm carácter fixo. O grupo opera com o jogo livre das práticas artísticas contemporâneas, enraizadas em objetos escultóricos reveladores duma posição pragmaticamente assistemática. Esta posição de não possuir nem seguir o sistema, organização, programa ou método, nunca põe em causa o sentido global que, embora não afirmado como sistema de pensamento ou ação, é para o NGEAC equivalente.

Catarina Baleiras (Lisboa, 1963 – 2000) foi uma artista plástica portuguesa reconhecida pelo seu trabalho em escultura e instalação. Iniciou a sua formação artística na École Nationale des Beaux-Arts de Lyon (1981-1982) e prosseguiu os estudos em escultura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa a partir de 1982-1983. A partir de 1985, Baleiras realizou diversas exposições individuais e participou em exposições coletivas de destaque, como a III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1986. Em 1996, apresentou a instalação "Sal" na Praça da República, em Aveiro, evidenciando a sua capacidade de integrar arte e espaço público. O seu trabalho foi também associado ao espetáculo "Jardim de Inverno", da Companhia Olga Roriz, cuja cenografia criada por Baleiras foi remontada em 2004, em sua homenagem. Catarina Baleiras deixou uma marca significativa no panorama artístico português, sendo lembrada por projetos que exploravam a relação entre arte, espaço e memória.

Jorge das Neves (Moçambique, 1973) é um artista português, licenciado em Artes Plásticas pela Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, que opera fundamentalmente com fotografia, tendo também trabalhos no campo da escultura e ready-made.

Sobre os artistas em residência

Ânia Pais é artista visual, vive e trabalha entre a aldeia da Atalaia na Covilhã e Lisboa. Gil Ferrão vive e trabalha atualmente nas Caldas da Rainha. É um artista que trabalha a junção do consciente e do inconsciente, podendo coabitar com as mais diversificadas matérias ou suportes. É influenciado pelo equilíbrio, movimento e a interação física. Jogos, desportos, brincadeiras são abordados num sentido estético e performativo. Fomenta a partilha de ideias entre pessoas desconhecidas, tornando o público próximo, consciente e criativo. Dori Nigro é performer, doutorado em Arte Contemporânea, educador de arte, pedagogo, comunicador social e fotógrafo. Paulo Pinto é multiartista, arte educador, arteterapeuta, psicólogo, professor e pós-doutorando em Arte Contemporânea. Companheiros de vida/arte, atuam ativando temáticas ligadas à ancestralidade/espiritualidade, memórias pessoais/familiares/sociais, herança colonial, corpos dissidentes, educação/saúde mental.

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