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Monsenhor Nunes Pereira “voltou” a Fajão - em livro, em espetáculo teatral e através de um protocolo histórico

Geral
16 Maio 2026

A aldeia de Fajão foi hoje (16 de maio) palco de uma tarde de triplo significado na homenagem à memória artística e cultural de Monsenhor Nunes Pereira. A iniciativa integra-se no programa comemorativo "Nunes Pereira. Do nascimento ao (re)nascimento", que decorre até dezembro deste ano, e reuniu entidades parceiras, autarcas e a comunidade num momento de celebração, cooperação e compromisso com o futuro do legado do ilustre filho de Fajão.

A tarde começou com um espetáculo teatral itinerante pelas ruas e espaços da aldeia, protagonizado pelo Teatro Comunitário de Montemor-o-Velho e pela Navio – Companhia de Teatro. O público acompanhou as personagens em movimento pela aldeia, com diversas paragens e representações inspiradas nos Contos de Fajão, num momento simultaneamente lúdico e emotivo. A encenação culminou à entrada do Museu Monsenhor Nunes Pereira, onde atores e público se uniram num momento musical entoado em conjunto — imagem simbólica de uma comunidade que não esquece quem a tornou singular.

Já no interior do Museu, foi assinado o protocolo para a requalificação do Museu A. Nunes Pereira, num ato que marca um passo decisivo na valorização deste espaço de memória e identidade. Estiveram presentes e subscreveram o documento as seguintes entidades: Município de Pampilhosa da Serra, representado pelo Presidente da Câmara Municipal, Jorge Custódio; Seminário Maior de Coimbra, representado pelo Reitor, Padre Nuno Santos; Museu Nacional de Machado de Castro, por Virgínia Gomes, em representação da Diretora do Museu, Sandra Saldanha, ausente por motivos pessoais, e a Junta de Freguesia de Fajão-Vidual, representada pelo Presidente, Aurélio de Campos.

Destacando precisamente o contributo decisivo de Aurélio de Campos na concretização do protocolo, o Presidente da Câmara Municipal, Jorge Custódio, sublinhou o significado deste momento: "Um museu não é um depósito de peças e por isso é preciso que este museu tome corpo, tome alma e que seja capaz de chamar a atenção do público para a magnífica obra de Nunes Pereira — uma figura incontornável, não só pela parte espiritual, mas também pela parte artística.”

A importância desta parceria para a identidade do espaço e para o reforço da memória coletiva, foi destacada pelo Reitor do Seminário Maior de Coimbra. "A identidade do espaço é de facto Monsenhor Nunes Pereira e quando perdemos a identidade perdemos força. O que queremos todos é que essa força retome e esta colaboração vai contribuir para isso mesmo”, frisou.

A tarde encerrou com a apresentação da 3.ª reedição, revista e aumentada, da obra Os Contos de Fajão, da autoria de Monsenhor Nunes Pereira. Esta nova edição é enriquecida com contos recentemente descobertos, com fotografias da viagem de Nunes Pereira à Alemanha — onde recolheu os baixos-relevos dos contos de Beckum — e com matrizes de xilogravuras, reconhecidas como a sua obra maior.

Virgínia Gomes salientou que a obra "comemora a cultura intangível da Beira-Serra recolhida da oralidade por Nunes Pereira" — um testemunho vivo de uma identidade cultural que importa preservar e transmitir às gerações futuras.

A iniciativa de hoje contou também com a presença institucional dos municípios parceiros do programa comemorativo: Coimbra, Lousã, Arganil, Góis, Montemor-o-Velho e Cantanhede — concelhos que, tal como Pampilhosa da Serra, se reconhecem no legado de Monsenhor Nunes Pereira e partilham o compromisso de o honrar e projetar.

O programa "Nunes Pereira. Do nascimento ao (re)nascimento" prossegue até ao final do ano, com novas iniciativas que continuarão a afirmar Fajão, Pampilhosa da Serra e os concelhos parceiros como territórios de cultura, memória e identidade.

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