Personalidades
Personalidades Conhecidas
Júlia Nunes de Almeida Brito
Natural de Pescanseco Fundeiro, revelou-se grande artista de pintura de renome nacional e internacional, tendo exposto os seus quadros por diversas vezes e alcançado valiosos prémios. Faleceu em finais de 1969. Era esposa de José Nunes de Brito, falecido em 1975, impulsionador e fundador da Liga de Melhoramentos do Vidual.
José Francisco Pereira
Professor primário, escritor e romancista. Nasceu numa casa da Quinta, em Vidual de Baixo. Foi autor de alguns livros sobre impostos e administração financeira.
Custódio Domingos
Custódio Domingos foi uma figura brilhante da tauromaquia nacional. Embora nascido em Lisboa, em 1889, foi no Trinhão que passou os anos da sua infância, de onde era natural sua mãe. Casou na Amoreira Cimeira com D. Maria da Nazaré Henriques Vaz Serra, professora do Ensino Primário.
Demonstrou bem cedo a sua propensão natural para a arte de toureiro, tendo tido os primeiros contactos nas praças de Algés, Moita, Alcochete e Setúbal. Em 1909, com dezoito anos, Custódio Domingues veste-se de toureiro na Praça de Abiul e em 1911, já depois de ter andado por terras de Moçambique, Angola, S. Tomé e Brasil, retomou a arte tauromáquica na Praça do Campo Pequeno.
Actuou como toureiro-bandarilheiro em Portugal, Espanha, México e França e foi classificado como um mestre no seu tempo. Em 1937 abandonou a arte tauromáquica e retirou-se em plena glória, sendo convidado para director de corridas, lugar que desempenhou com brilhantismo.
Fez parte da Comissão Cultural da Freguesia da Portela do Fojo desempenhando um papel importante na realização de obras de estradas, rede eléctrica e abastecimento de água.
Faleceu em Lisboa, em 1981, tendo sido o seu corpo trasladado para o cemitério da Portela do Fojo.
Maria Virgínia Martins Antunes
Maria Virgínia Martins Antunes, natural de Dornelas do Zêzere, foi professora do Ensino Primário, leccionando na sua terra natal de 1970 até à aposentação, em 1992.
Na vida política desempenhou cargos importantes, tendo ocupado na Junta de Freguesia de Dornelas do Zêzere o lugar de Secretária e de Presidente. Foi deputada durante vários anos na Assembleia Municipal.
Na vida social realizou um papel de inigualável valor, dedicando a maior parte do seu tempo ao projecto que abraçou com orgulho - a Associação de Solidariedade Social de Dornelas do Zêzere - da qual foi fundadora e onde assumiu o lugar de Presidente da Direcção até à sua morte, em 30 de Abril de 2006.
D. Eurico Dias Nogueira
Eurico Dias Nogueira, nasceu em Dornelas do Zêzere, em 06 de Março de 1923. Frequentou o Seminário de Coimbra de 1934 a 1944. Recebeu a Sagrada Ordenação Presbíteral em 22 de Dezembro de 1945, aos 22 anos de idade. Em 03 de Julho de 1948 doutorou-se em Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma, Itália. Posteriormente, em 05 de Julho de 1955, licenciou-se em Direito Civil, na Universidade de Coimbra.
Em 10 de Julho de 1964, aos 41 anos de idade, é nomeado Bispo de Vila Cabral - Moçambique, vindo a receber a Sagrada Ordenação Episcopal como Bispo da Igreja Católica Apostólica Romana em 06 de Dezembro do mesmo ano, das mãos de Sua Excelência Reverendíssima, Dom Ernesto Sena de Oliveira, Arcebispo de Coimbra, na Sé de Coimbra.
Em 19 de Fevereiro de 1972, com 49 anos de idade, é nomeado Bispo de Sá da Bandeira - Angola, por Sua Santidade o Papa Paulo VI, tendo vindo a resignar da Diocese em 03 de Fevereiro de 1977, aos 53 anos de idade. Em 1974, em representação do Episcopado de Angola participa no Sínodo dos Bispos. Em 03 de Novembro de 1977, aos 54 anos de idade, é nomeado Arcebispo de Braga, vindo a resignar em 05 de Junho de 1999, aos 76 anos de idade, como Arcebispo Emérito de Braga.
Politicamente foi um homem muito polémico, quer durante a ditadura do Professor Dr. António Oliveira Salazar, quer durante a Presidência da República Portuguesa, do General Ramalho Eanes. É feito Doutor Honoris Causa pela Universidade do Minho, em 17 de Fevereiro de 1990; Grande Oficial da Ordem Equestre do Santo Sepulcro, em 03 de Março de 1990; membro da Academia Portuguesa de História, em 04 de Maio de 1990 e recebe a Grã-Cruz de Mérito da Ordem de Malta, em 19 de Outubro de 1996.
Artur Dias da Silva Nogueira
Nasceu em Dornelas do Zêzere a 3 de Novembro de 1918. É filho do Prof. José Dias da Silva e da D. Maria Palmira de Jesus Nogueira, sendo o mais velho de cinco irmãos: Eurico (n.1923) Arcebispo Primaz emérito de Braga, José Maria (n. 1928) professor de ensino básico aposentado, Júlio (1921-39) e Fernando (1925-55).
Concluiu o curso do Magistério Primário em 1937 (Lisboa) e o de Direito em 1944 (Coimbra). Em 1947 contrai matrimónio com a Dr.ª Maria Lídia Anes Roque Duarte (falecida em Junho de 1991), com que teve cinco filhos: António Júlio (n. 1950), Maria Teresa (n. 1952), José Artur (n. 1954), Ana Maria (n. 1961) e Joaquim Eurico (n. 1965).
Depois de ter cumprido o serviço militar, foi Delegado do Ministério Público em Vila Real de Santo António e Lamego. Posteriormente enveredou pela carreira diplomática, tendo servido o País no Ministério dos Negócios Estrangeiros, como Adido em Paris, na NATO; Cônsul em Durban, Montreal, Caracas, Joanesburgo, Antuérpia e Hamburgo; Encarregado de Negócios na Guatemala e Embaixador na Zâmbia. É condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique e em 1983, ao completar 65 anos de idade, passou à situação de disponibilidade.
José Maria Alves Caetano
Nasceu em Pessegueiro em 1864. Cedo emigrou para Lisboa, onde constituiria numerosa família e viria a falecer em 1946. Ficou ligado ao Colmeal (Góis) e ao Sobral Valado (Pampilhosa da Serra) pelo seu casamento em primeiras e segundas núpcias.
Pioneiro do Regionalismo Serrano e um dos seus mais lídimos e abnegados representantes, esteve na génese da criação de várias agremiações regionalistas na década de 30. Em 31 de Janeiro de 1931 funda a "Gazeta das Serras", jornal que dirigiu a através do qual exerceu uma acção incansável em favor do seu concelho.
Marcelo José das Neves Caetano
Nasceu em Lisboa em 1906. Filho de José Maria Alves Caetano, de Pessegueiro (Pampilhosa da Serra), e de D. Maria das Neves, do Colmeal (Góis), herdou do pai o amor à terra dos seus antepassados. Foi Regionalista de coração e amigo das gentes da Beira-Serra.
Inteligência brilhante, o Professor Doutor Marcelo Caetano foi um dos maiores mestres portugueses de Direito, grande investigador, historiador e doutrinador. Foi reitor da Universidade de Lisboa e legou-nos uma obra vasta e profunda de índole jurídica, sendo justamente considerado um dos maiores publicistas do seu tempo, a nível nacional e internacional.
Como político, ocupou os mais altos cargos do Estado Novo, vindo a exercer as funções de Presidente do Conselho após a morte de Salazar. A Revolução de 25 de Abril de 1974 exilou-o no Brasil, onde morreu em 1980, estando sepultado no Rio de Janeiro, por sua livre e expressa vontade.
Benjamim Alves
Benjamim Alves nasceu em Pessegueiro e morreu em Lisboa. Notável orador sagrado, foi pároco de Alvares e de Pampilhosa da Serra. Licenciou-se em Clássicas na Universidade de Lisboa, exerceu funções docentes no Seminário da Imaculada Conceição da Figueira da Foz e, posteriormente, durante muitos anos, no Liceu Camões, em Lisboa.
Poeta, músico apurado, latinista por vocação, era uma personalidade multifacetada e um homem de acção. Deve-se-lhe a Igreja de Sobral Valado. Até ao fim da vida, foi assíduo colaborador de "A Comarca de Arganil".
Augusto Nunes Pereira
Nasceu a 9 de Dezembro de 1906 na Mata, freguesia de Fajão, Pampilhosa da Serra. Foi o segundo de quatro filhos. Seu Pai, escultor santeiro, faleceu quando Augusto tinha apenas 9 anos, herdando dele o jeito para as artes e o conjunto de ferramentas com as quais iniciou a sua aprendizagem manual: plainas, serras, formões, goivas e o mais da arte.
Em 1919 entrou no Seminário de Coimbra, tendo sido ordenado sacerdote, em 28 de Julho de 1929. Entre Outubro de 1929 e 1935 foi nomeado Reitor da freguesia de Santa Maria de Alcáçova, Montemor-o-Velho. De 1935 a 1952, foi pároco de Coja e de 1952 a 1980 pároco de São Bartolomeu, Coimbra.
Na Diocese de Coimbra foi Vigário Geral, cerca de quatro anos, com o Bispo D. João Saraiva e D. João Alves. De 1952 a 1974 foi redactor do "Correio de Coimbra", tendo realizado "muitas dezenas" de gravuras para este jornal.A partir de 1958, após viagens a Paris, Itália, Alemanha e Holanda, dedicou-se à aguarela. Desenhava com rapidez à pena; esculpia; pintava e, dados os seus conhecimentos na área da madeira, aprendeu numa tarde a técnica da gravura em metal com José Contente. Dominava igualmente a técnica do vitral, tendo executado o seu primeiro trabalho na capela da Casa de Saúde de Santa Filomena, em Coimbra, seguindo-lhe outros em Vila de Rei, na Capela de Montalto em Arganil, nas Igrejas de Santa Maria de Celorico da Beira, Manteigas, Fajão, Ponte Sótão (Góis), Ponte da Barca, Cardigos, Guarda-Gare, Paleão (Soure), Carnide (Pombal), etc.
José Maria Cardoso
José Maria Cardoso nasceu em Fajão em 3 de Agosto de 1885 e faleceu em Lisboa no dia 3 de Abril de 1959. Era filho do professor Augusto César de Oliveira Cardoso e de Martinha dos Santos Cardoso da Silva.
Aprendeu as primeiras letras na sua terra natal: Fajão. Foi seminarista e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra em Agosto de 1912. Exerceu advocacia em Coimbra, Figueira da Foz e Lousã. Foi vogal do Conselho Distrital de Coimbra, da Ordem dos Advogados. Exerceu funções de notário na Figueira da Foz entre 1916 a 1919, de inspector do Notariado entre 1919 a 1943 e de notário em Lisboa, entre 1943 e 1955.
Na sua actividade política de republicano convicto, contam-se as seguintes actividades: Deputado às Constituintes de 1911; Administrador do Concelho da Lousã, em 1911; Governador Civil do Distrito de Coimbra em 1921; Presidente da Câmara Municipal da Lousã de 1926 a 1929; Vice-Presidente do Centro Republicano da Lousã em 1923 e Vogal da Junta Geral do Distrito em 1929.
No foro jurídico teve acção relevante na reorganização dos serviços do Notariado e foi fundador e editor da Revista: Verbetes de Jurisprudência e Llegislação Usual. No âmbito regionalista foi Secretário Geral de vários Congressos Beirões, tendo representado neles a Casa das Beiras e A Casa da Comarca de Arganil.
No campo do jornalismo, foi fundador e proprietário do jornal “O Serrano”, Pampilhosa da Serra-Lousã (1909/1913). Colaborador do “Comércio da Lousã ” (1909/1915). Fundador e Director de “ O Figueirense”, Figueira da Foz (1919). Fundador e Director de “ O Jornal”, Coimbra (1921). Redactor de “ Alma Nova”, Lousã (1922/1939). Colaborador de “O Mirandense”, Miranda do Corvo (1923).
No campo do ensino, foi um dos fundadores e Director da Cantina Escolar Correia de Seixas, na Lousã. Como Presidente de Câmara da Lousã, foi determinante a sua acção na construção e acabamentos de estabelecimentos de ensino na área concelhia. Foi Presidente da Direcção do Grupo Amigos de Olivença. Fixado na vila da Lousã, em 1912, ali casou, tendo-se tornado um dos seus mais queridos filhos adoptivos.
As populações de Lousã, Castanheira de Pêra e Pampilhosa Serra, prestaram uma justa homenagem à sua memória em 18 de Junho de 1972, tendo sido descerrado um busto na vila da Lousã e, em plena Serra da Lousã, uma lápide com a sua efígie. Em Fajão, culminando as cerimónias, foi descerrada uma lápide na casa onde nasceu.
Guilherme Filipe
Nasceu em Fajão em 1897. Pintor consagrado, foi discípulo de Malhoa, em Portugal, e de Sorolla, em Espanha. No nosso país participou em em diversas exposições colectivas, nomeadamente a I e II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Gulbenkian. Em 1956 fez uma retrospectiva da sua obra na sua casa de Lisboa. Expôs em Madrid e em Bilbau.
José Henriques da Cunha
Nasceu na vila de Pampilhosa da Serra a 25 de Novembro de 1923. Era filho de Jaime Henriques da Cunha e de D. Palmira da Conceição Nunes e Cunha . Tinha três irmãos: António Augusto Nunes da Cunha, alferes da aviação, Jaime Henriques Nunes e Cunha, Sacerdote e Secretário Diocesano da Catequese, e Basílio Henriques da Cunha, residente durante alguns anos em Nova Lisboa.
Casou com Maria Alice Cortez e Cunha em 25 de Novembro de 1944, com quem teve três filhos: José, António e Carlos Manuel Cortez e Cunha.
Foi empregado na Intendência de Abastecimentos e proposto da Tesouraria da Câmara da Pampilhosa, para a qual foi nomeado Presidente em 29 de Julho de 1961, cargo que ocupou durante dois anos, até à sua morte em 17 de Agosto de 1964, precipitada por um acidente de viação ocorrido em 14 de Agosto, num passeio a caminho de Cambas, onde se dirigia com um grupo de amigos vindos de Lisboa para tomar banho.
José Fernando Nunes Barata
Nasce a 1 de Setembro de 1927, na vila de Pampilhosa da Serra. Filho de José Augusto Nunes Barata, Tesoureiro da Fazenda Pública de Pampilhosa da Serra, e de Maria da Anunciação Lucas Barata, Professora Primária na Escola do Cabril.
Frequentou o Ensino Primário em Pampilhosa da Serra e o Ensino Secundário e Universitário na cidade de Coimbra. Em 1951 licenciou-se em Direito com distinção. Nesse mesmo ano é nomeado Conservador do Registo Civil Interino de Pampilhosa da Serra, passando a exercer as funções inerentes de Juiz do Julgado Municipal de Pampilhosa da Serra.
Em 1952 completou a Pós-Graduação em Ciências Político-Económicas na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e a 18 de Outubro desse mesmo ano é nomeado Chefe da Secretaria da Câmara Municipal de Coimbra, cargo que desempenhou até 21 de Junho de 1957.
Em 1957 editou, juntamente com Joaquim de Oliveira Lirio, a «Revista de Direito Administrativo», publicação trimestral, mantendo-se seu Director e Proprietário até 1971. Em 21 de Junho desse ano toma posse como Inspector Administrativo do Ministério do Interior, suspendendo nesta data a sua inscrição na Ordem dos Advogados, por incompatibilidade funcional.
Em 1958 iniciou o exercício de funções como Deputado da Assembleia Nacional, actividade que manteve em várias legislaturas, até 1974.
Em 1959 é editada a Revista “Brotéria” da qual se manteve colaborador até à data da sua morte.
Em 1966 é nomeado Director do Centro de Estudos do Grémio Nacional das Agências de Viagens e Turismo e em 1969 passa a desempenhar funções de Procurador da Câmara Corporativa, onde exerceu papel relevante na Legislação sobre Turismo em Portugal.
Em 1970 realiza como Inspector Superior da Economia do Ultramar, várias viagens de trabalho a Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné e S. Tomé e Príncipe, sendo entretanto nomeado Agente-Geral do Ultramar, cargo que mantém até Abril de 1974.
Em 1975 viaja para o Brasil, onde exerce, durante dois anos, as funções de professor Universitário Convidado, nas Universidades Estatal e Particular (Colégio Moderno) de Belém do Pará.
Em 1977 regressa a Lisboa para assumir as funções de Coordenador do gabinete Jurídico-Económico da União de Associações da Indústria Hoteleira e Similares de Portugal, para que fora também convidado. Paralelamente, exerce a advocacia, no seu escritório na cidade de Lisboa. Colabora activamente em diversas obras, das quais se destaca a “Enciclopédia Pólis”. Na Imprensa Regional colabora com o “Jornal do Fundão” e “Comarca de Arganil”.
Morre a 3 de Maio de 1998, encontrando-se sepultado no cemitério de Pampilhosa da Serra.
Lega a sua Biblioteca Particular à Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra para que a coloque ao serviço da população. Desta Biblioteca, composta por mais de 8000 volumes, destacam-se inúmeras obras, escritos, estudos e ensaios de que foi autor.
José Acúrsio das Neves
Nasceu em 1776 em Cavaleiros de Baixo, pequena aldeia pertencente nessa altura ao concelho de Fajão, e foi encontrado morto ou assassinado num palheiro das vizinhanças de Sarzedo, onde se refugiara, fugindo à perseguição que lhe moviam os seus inimigos liberais. A família possuía nessa localidade casa e bens de raiz e um irmão fora pároco de Arganil, ao tempo das Invasões Francesas.
Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi colocado como Juiz de Fora em Angra (Ilha Terceira, Açores), em 1795. Aí ascendeu a corregedor em 1799 e casou com Delfina Maria das Neves, viúva rica de um parente próximo. Regressou ao Continente em 1807 e em 1810 é nomeado deputado da Real Junta do Comércio, Agricultura e Navegações e da Real Fábrica de Sedas e Obras das Águas Livres, enquanto desempenhava, simultaneamente, o cargo de desembergador da Relação do Porto. Em 1822, é deputado às Cortes Ordinárias. Opositor do Vintismo, passa uma vida atribulada, desde 1820 até à sua morte.
Historiador e pensador, é considerado um dos espíritos mais lúcidos da 1.ª metade do século XIX e uma das maiores figuras do pensamento económico português.
Vasta e variada, a sua obra teve muita importância posterior e foi editada recentemente pelas Edições Afrontamento (Porto, s.d.). Dela, se destacam alguns títulos, todos impressos em Lisboa:
Memórias Sobre os Meios de Melhorar a Industria Portuguesa; História Geral da Invasão dos Franceses(1811); Noções Históricas Económicas e Administrativas (1827); Considerações Políticas e Económicas sobre os Descobrimentos e Possessões dos Portugueses (1830).
José Maria Henriques da Silva
José Maria Henriques da Silva, também conhecido por José Maria Henriques de Matos, nasceu em 31 de Janeiro de 1851 na vila de Pampilhosa. Era filho de António Joaquim Alves da Silva, sub-delegado do Procurador Régio, natural da mesma vila, e de Maria Henriques de Matos, do Casal de Cima - Alvares. Faleceu em 18 de Dezembro de 1944 no Couço - Coruche.
Fez os seus estudos na Universidade de Coimbra, onde se formou em Direito em 1874. Foi Administrador do Concelho de Pampilhosa até 1882. Nesta data foi nomeado Conservador do Registo Predial de Benavente. A sua vida seguiu então um novo rumo. Fixou residência naquela vila Ribatejana e dedicou-se à vida política, filiando-se no Partido Regenerador de João Franco, acompanhando-o na Dissidência. Foi eleito Presidente da Câmara de Benavente.
Em 1886, casou com D. Maria Bernardina Ribeiro Telles, na localidade de Santo António do Couço, no concelho de Coruche, onde se instalou. Tiveram numerosa descendência.
Após a Implantação da República, deixou os cargos que desempenhava em Benavente para se consagrar à agricultura, em cuja actividade obteve elevado prestígio tendo sido considerado o maior e mais próspero lavrador do concelho de Benavente.
Foi um extraordinário benfeitor que utilizou muitos dos seus recursos em diversas obras de beneficência e jamais esqueceu a sua terra natal, Pampilhosa da Serrs, acarinhando de forma especial a conferência de S. Vicente de Paulo, a Caixa Escolar e o Grupo Musical Fraternidade Pampilhosense.
J. A. Pereira dos Santos
J. A. Pereira dos Santos nasceu em Unhais-o-Velho, no dia 1 de Novembro de 1894, Dia de Todos os Santos, o que teve influência no seu apelido. Faleceu em Seia em 1989, aos 95 anos de idade.
Fez a instrução primária na escola da sua terra, entre 1902 e 1906, indo seguidamente frequentar o Seminário de Coimbra, onde se manteve de 1906 a 1915. Foi ordenado sacerdote em 03 de Março de 1917 pelo Bispo D. Manuel Luís Coelho da Silva, na capela do Seminário. Celebrou a primeira missa no dia 08 do mesmo mês, sendo logo nomeado coadjutor da freguesia de Maceira de Lis (Leiria) que então pertencia à diocese de Coimbra.
Poucos meses depois foi incorporado no Exército e chamado a frequentar a Escola de Oficiais Milicianos, em Lisboa, onde se encontrava quando eclodiu a revolta comandada por Sidónio Pais.
Terminado o curso e promovido Oficial foi colocado no Regimento de Infantaria de Leiria, tendo de imediato requerido a sua nomeação como Capelão Militar, voluntariando-se para seguir para França, onde decorriam as operações da Grande Guerra Mundial, com o Corpo Expedicionário Português.
Cumpriu com honra a suas funções de assistência religiosa aos combatentes portugueses, o que lhe valeu ser agraciado com o grau de Oficial da Ordem de Cristo, com palma.
O Padre J. A. Pereira dos Santos foi o último elemento do corpo de capelães militares que estiveram na II Grande Guerra a desaparecer. Após o regresso a Portugal, passou ao estado laical, mediante um demorado processo, vindo a contrair casamento com uma senhora francesa de quem teve dois filhos. Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa, exerceu diversas profissões, entre as quais o professorado. Fundou e dirigiu colégios e jornais, desenvolveu actividade no negócio do volfrâmio, foi um activo regionalista, encontrando-se no número dos fundadores da Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra, em 1941, de que foi o primeiro presidente do Conselho Fiscal e onde desempenhou também o cargo de presidente da Assembleia Geral desta instituição, em 1945.
Depois de enviuvar, solicitou à Santa Fé o retorno à sua condição de sacerdote, um pedido que demoraria alguns anos a ser atendido e para cuja solução tiveram importante contributo os pareceres favoráveis dos Bispos de Beja e de Évora, respectivamente, D. José do Patrocínio Dias, seu antigo colega como capelão militar em França e D. Manuel Trindade Salgueiro, que tinha sido seu contemporâneo em Coimbra. De então até ao seu falecimento a vida do Padre J. A. Pereira dos Santos foi um testemunho permanente duma fé que nunca o abandonara, não obstante as múltiplas situações que viveu em quase um século de existência.






















